Incendeie-me, ó gênese de tudo que há
Reacenda a chama que só você alimenta
Você, que faz a existência brilhar
Faça de mim um estandarte que te ostenta
Nomeie-me cavaleiro, sob o seu luar,
Guerreiro noturno do lirismo que reinventa
No doce mundo em que basta sonhar
Na utopia dos tempos que o passado isenta

Afogue-me nesse oceano de verdades
E ressuscite-me com a valia de seu nome
Leve-me ao temido olho da tempestade
Onde a coragem nasce e o medo se esconde
Lute comigo contra minha animalidade
Fonte do mal que a mim mesmo consome
Matemos também minha vã humanidade
Que alimenta meu ego, enquanto morre de fome

Meio morto nesse claustrofóbico nada
Vivendo a angústia que de mim se enfada
Esperando te encontrar, sem estar vendo
Sou pétala destinada em busca do vento

O bramido carmesim ecoa em meus lábios
Enquanto sussurro por sua manifestação
A poderosa presença, o êxtase dos sábios
A magia infinita que habita um coração
Deixe-me entrar em seus versos fantásticos
Metamorfosear-me em sua inexatidão
Inebriar-me, dançando em seus cenários
A canção dos eternos que vêm e não vão

Personifique-se a mim, ó sombra iluminada
Que meus olhos vejam o que agora sinto
Para que tudo se vá e o infinito se faça
No agora que é o que eu apenas pressinto

Eis o chamado do receptáculo
O clamor de quem já se sentiu
Coadjuvante desse espetáculo
Um anti-herói que nunca caiu

Consegui alcançar o graal das deidades?
Será que pude o imponderável transpor?
Te encontrar é minha mais forte verdade
É contigo que falo, tão desejado amor